Perdoa-me Senhor pois hoje
te encontrei ...ei ...ei
25.5.02
Mas a verdade é que sei lá ... tô leve prá cacete hoje ... muito bem ...
Nem parece que ouvi de manhã onze minutos da mais pura nóia depressiva,
versão integral de This is the end do Doors. Claro, depois coloquei uma porrada
de coisa mais alegre. Foi mais ou menos isso ...
The Doors - This is the End
AnimeClick - Medarot ( Medabots em espanhol )
Paulina Rubio-Don't Say Goodbye
Alien Ant Farm - Smooth Criminal
Denver, John and Domingo, Placido - Perhaps Love
Morcheeba - Rome Wasn't Built In A Day
Moby featuring Gwen Stefani of No Doubt - South Side.
Moby - Bodyrock
Eric Clapton - I Aint Gonna Stand For It
REM - Reveal - Imitation of life
Oswaldo Montenegro - Bandolins
Samael - Rebellion
Madonna - Frozen
Matchbox Twenty - Bent
Joan Osborne - What If God Was One Of Us
Filter & The Crystal Method - Trip Like I Do
Duran Duran - View To A Kill
Eretzvaju - Kiss In The Dark
Sandy e Junior - A Lenda ( se você chegou até aqui pode começar rir ...
)
Rurouni Kenshin - Tactics ( como o Paulo disse, Kenshin animê tem mais
encerramento do que trama )
Libido - En esta Habitacion
The Cult - Rise
Kid Abelha - Eu contra a noite
Ugly Kid Joe - Cats in the Cradle
Dulce Pontes - Canção do mar
Soul Blade - Edge of Soul (Full)
The Pretenders - Don't get me wrong
Sakura - I Want you to know ( música cntada pela dubladora da Sakura nos
jogos e que aparece como secreta no Puzzle Fighter do Saturn e Playstation )
Rockman8 op - Eletrical Communication
Mel C - Northern Star ( podem continuar a rir ... )
Los Fabulosos Cadilacs - El Matador
Hum ... no minímo, eclético ... Fico pensando no que os vizinhos imaginam
quando ouvem uma seleção dessas
Bem rainha Petra Guinevere ( ou seria Petra Le Fey? ), fico feliz de ser
comparado com um cavaleiro da Távola Redonda, mas eu confesso que eu sempre
gostei mais do Tristão ... principaçmente aquele do animê, que disparava
flechas usando a harpa ... pô, mor barato ...
E como eu já devo ter dito que elogios femininos possuem um efeito positivo
sobre mim, assim, digamos, fantástico ...
Campinas, perto das 19:00h de uma sexta, 23 de maio. Eu saio da minha
terapia, e o vento frio me açoita e lembra porque eu gosto dessa cidade. Vento.
Frio. Fecho a minha jaqueta por reflexo, mas não a deixo com os botões
abertos. Curto o frio, aprecio cada segundo em que ele me faz carinho até o
centro da cidade, atraso o meu passo, ando lento, tentando assimilar algumas
coisas da semana. O frio que eu sinto agora é tão menor do que o frio que eu
senti quando finalmente abri aquela carta, e me faz lembrar que se preparar para
tudo algumas vezes não te prepara para o que vai realmente acontecer. Eu
esperava muitas coisas daquela carta, só não esperava ...
Tanto frio ... A cada esquina um golpe mais forte de vento me faz sorrir mais
um pouco. Faço questão de esquecer quem esta jogado nas ruas e não tem
agasalho. Quero curtir esse frio gostoso, mesmo sabendo que quem eu achei que
iria me aquecer para o resto da vida, no final das contas, não tinha tanto
calor para compartilhar. Mas tudo bem ... o que me pertuba não é isso. Não é
isso que me faz procurar cigarros no bolso e em seguida me lembrar que eu não
suporto fumo. É algo que a minha terapeuta acabou de dizer ...
"Marcus, em certo sentido somos sozinhos. Eu demorei muito prá aceitar
isso, mas é verdade."
Sei doutora ... Só não faz sentido prá mim. Podemos ser sozinhos,
indivíduos únicos e sem igual, mas isso não faz de nós sozinhos, em sentido
nenhum. Atinjo uma grande avenida, mais vento, mais frio, eu deixo de me
encolher. Recebo-o de peito aberto. Além da sensação de que preciso fumar,
vem um pouco de fome ... normalmente eu tomaria um sorvete, mas não faz muito
sentido. Descarto um copo de chopp escuro, já que eu não bebo também, e eu
já tenho todo o gelo de que preciso. A equação se completa com uma
incontrolável vontade de mijar que me ataca, e me leva até um mini shopping
nas proximidades. Após me aliviar, vou até uma das melhores docerias dde
Campinas, dentro do mini shopping. Lá, eles servem um doce que consiste em
mousse de chocolate em um copo comestível de chocolate. Prá completar, o
mousse é à base de licor de cacau. Peço dois, brinco com a balconista até
lhe arrancar um sorriso, e vou embora. Bonitinha, mas, se meu coração,
finamças e cabeças estivessem em ordem, ela ainda seria a quinta ou sexta em
uma lista de dez possibilidades. Devoro o primeiro copinho, antes de sair para a
rua, os níveis de dopamina em meu cérebro sobem rapidinho, e eu me reservo o
direito de curtir um pouco mais o outro. De novo o vento, de novo a rua, de novo
o frio, de novo ela na minha cabeça, de novo a frase ...
"Marcus, em certo sentido somos sozinhos. Eu demorei muito prá aceitar
isso, mas é verdade."
Sinto muito, mas não engulo essa doutora. Esse "em certo sentido"
é tão diferente que nem quer dizer sozinho. Quer dizer ser eu mesmo. É
diferente de solidão. E, mesmo solidão, é diferente de caso para caso. Na
mesma semana em que leio a carta fria e sem sentimento de alguém com quem eu
queria dividir a minha vida inteira, eu recebo uma outra, quase apaixonada, de
uma amiga ( ? ), que eu julgava perdida faz tempo ... Estou na rua do meu
serviço agora ... foi por conta dele que a senhora disse essa frase, que eu
sozinho não posso mudar nada ali, que eu, graças ao mundo no qual vivo, não
tenho opções. Mas eu sei que não é verdade. Aquela atendente lá atrás
estava triste, e eu lhe arranquei um sorriso. O cara que inventou a receita
desse doce mudou a minha vida ...
Uma pessoa, na hora e lugar certos. É isso que eu quero ser. Devoro
lentamente o copinho, penso um pouco na vida, e o frio já não tem mais
tanta graça. Levanto a gola da jaqueta, penso em como eu ficaria com um
daqueles chapéis de filmes de detetive. Em algum lugar algum cretino toca um
saxofone. Graças a Deus deve ser bem longe, já que eu não escuto. Já é de
noite, quase ninguém na rua, e nem assim eu estou sozinho, nem tenho só o frio
e o vento.
Marcus Winicius, ( ... ) era um detetive, patrulhando casos que eu nunca tive
( e se alguém souber de alguém que possua a música Maximilliam Sheldon do
Ultraje a Rigor, em qualquer formato, favor entrar em contato com grayraven@uol.com.br )